quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Menstruar, o sangue da Lua

Há muito tempo nas antigas tribos, indígenas ou não, a mulher era cultuada como a divindade e força de renovação da vida, pois era capaz de sangrar periodicamente e regenerar-se , não por ferimento,como o sangue masculino; mas um sangue sagrado, o sangue da Lua, que fazia todas sincronicamente em uma determinada organização social sangrarem juntas, pois se alinhavam uma com a outra e todas com a mãe lua que habita os céus.


A lua, principal ícone de simbolismo feminino é feita de fases...de faces,  assim como suas filhas, as mulheres, ela cresce e desabrocha em vida é aonde encontramos Kore  a faceta da Deusa Donzela que espalha a felicidade e a promessa;  dá-se então que o céu muda e a roda de prata começa a se formar, a lua está a encher, a Deusa agora é mãe, geradora da vida e passa essa energia de criação para suas filhas, é a face da mulher capaz de em seu útero metamorfosear as células em vida pulsante, no esplendor de sua plenitude, ela começa a minguar e envelhecer então torna-se a senhora sábia , aquela que já não sangra mais, mas que é capaz de guardar em si a sabedoria latente das outras faces. 
Por fim a lua some. É Nova, Face da Deusa onde ela volta para si e busca o seu Poder interior, onde a própria divindade entrega-se a magia e aos feitiços.


Hoje, a menstruação é vista com olhos de uma sociedade regida por uma energia dominantemente masculina, aonde não se tem a real compreensão do que é a sacralidade do sangue, as próprias mulheres tiveram que se masculinizar para conquistar seu lugar social foi preciso vestir calças para trabalhar, para manifestar sua vontade, desconectando-se assim, aos poucos da grande mãe, ou seja, delas mesmas.


Foi então que começaram as dores, o desregulo, as infecções, a famosa TPM.
Estes nada mais são do que sinais do corpo, pedindo para reconectar-se com a sua essência, com a sua energia verdadeira, quando não se escuta o próprio corpo , ele  começa a gritar por atenção até que sufocado pelo domínio da consciência, adoece e lhe derruba, obrigando então a descansar e retirar-se da correria.


Os antigos chefes ameríndios , se auto flagelavam para entregar seu sangue aos deuses, com amor é claro, porém nós mulheres, temos esta oferta divina mensalmente e por vezes não lhe damos o verdadeiro valor, quanto mais conectada com seus ciclo.. menos dores.. menos dúvidas.. menos aflições.


Não esperemos mais  nosso corpo gritar por atenção , nem  esqueçamos de quem descendemos, a  dor  de começar a se reconectar é necessária porém o sofrimento  é opcional. 
Há diversas meditações lunares que se pode fazer com os ciclos ,  o natural é que todas sangrem na lua nova ou minguante , que estejam férteis na cheia e comecem esta empreitada na crescente, contudo os anticoncepcionais e a quantidade de medicamentos, tornam artificiais os ciclos femininos.

Cabe somente a você decidir quanto tempo mais quer ficar em hibernação de sua sacralidade e poder, não é mais necessário esconder a feminilidade e muito menos reprimi-la.


Nosso sangue... é vida! 




Assim é.
Kandake

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