quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sagrado Masculino

Vejo um Homem primitivo, sua consciência recém desperta vê sua fragilidade, diante da grandeza de tudo o que o cerca. Longe de desenvolver a agricultura, sua vida depende dos humores da Natureza.
Facilmente superstições se criam e ele pinta nas cavernas a fartura da caça que ele quer, pedindo que o cervo se entregue em alimento... E ele se entrega.
Sua carne alimenta, sua pele veste e de seus ossos e chifres se fazem ferramentas. Em suas vísceras alguém vê um sinal de fartura e está selado o elo entre os Homens e o Deus de Chifres.
A consciência do Homem cresce e o Deus mostra a sua beleza com seus pequenos chifres, dançando pela floresta e encantando a natureza com sua música, traz a primavera. As plantas brotam, o fruto cresce e a vida se renova.
A consciência do Homem evolui e o Deus Carvalho mostra a sua grandeza permanecendo verde quando tudo a sua volta morre.
Assim como a cada dia a Mãe Noite dá a luz ao Deus Sol ao amanhecer e o engole ao anoitecer, a Grande Mãe da a Luz ao Deus da natureza que traz a primavera com seu sorriso de criança, mostra a sua grandeza num farto verão e sua sabedoria nas folhas do outono. Para novamente se recolher ao silêncio do ventre de sua amada e da escuridão da própria morte resgatar sua pureza e seu poder criador.
A conexão com a natureza faz com que ele revele seus mistérios ensinando ao Homem seus ciclos e ele desenvolve a agricultura e a pecuária. Com isso reúnem-se em aldeias e passam a trabalhar em prol do próprio sustento, constroem suas casas, cria o que mata e planta o que colhe.
A sociedade do homem cresce e sua arrogância também.
Muito tempo passou, muita história se fez, muitos Deuses surgiram e o Deus dos Homens tomou lugar do Deus da Natureza.
O Homem se torna o Deus em que acredita e a sociedade atual é um reflexo disso.

Robinson Pacheco

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